Idadismo: o que é e por que você deve combatê-lo

Batemos um papo com Marco Antônio Vieira Souto, conselheiro do Atualiza e Head de Estratégias do Grupo Dreamers, para explicar o que é o idadismo e por que devemos combatê-lo já.
  | Leitura: 6 min
3 de junho de 2022
Saiba o que é idadismo

“Se tudo der certo na sua vida, você vai envelhecer”. É provável que você já tenha escutado essa frase por aí, e ela tem toda a razão! Envelhecer é uma conquista, mas é comum que quem tenha mais de 50 anos sofra quase uma punição por isso. À medida que envelhecem, passar a escutar frases que colocam em cheque suas habilidades, dependência, sanidade e capacidade de aprendizado. O resultado? Temos idosos mais depressivos, com sentimento de exclusão e não aceitação.

O envelhecimento é um processo inevitável, sim, mas o preconceito, não. É totalmente possível mudá-lo e deixar para trás velhas expressões e acusações, como “você está ficando gagá” ou “você está velho demais para isso”. Para entender melhor como combater o preconceito etário, conversamos com Marco Antônio Vieira Souto, conselheiro do Atualiza e Head de Estratégia do Grupo Dreamers. Continue lendo!

O que é idadismo?

De acordo com o relatório Global Report on Ageism, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada duas pessoas no mundo já apresentou ações discriminatórias contra idosos — a isto, é dado o nome de idadismo. Também chamado de ageísmo ou etarismo, o idadismo é o preconceito contra um grupo de pessoas por razão da sua idade, sendo mais comum para pessoas mais velhas. A sua incidência cria um estereótipo negativo sobre a velhice e acentua a negação do envelhecimento.

“Como todo processo de exclusão, você tem vários momentos em que isso acontece. Talvez o mais comum seja na fala, na maneira de tratar. Por exemplo: usar o diminutivo, como se fosse uma criança. No médico, é comum falar: “injeçãozinha, depois toma uma sopinha”. No Brasil, o “inha” é uma forma de amor, mas normalmente carrega preconceito. E também o fato do médico falar com a pessoa mais nova quando as duas estão no local”, exemplifica Marco.

O idadismo ele pode ser tanto velado quanto explícito. Se você perguntar a uma pessoa mais velha se ela já sofreu preconceito etário, talvez ela responda que não. Mas se você citar algumas frases etaristas comuns, como “está esquecido porque está velho” ou “está ficando gagá”, é provável que ela já tenha escutado. Muitas vezes, o idadismo acontece com comentários desagradáveis, como se fossem brincadeiras, e até mesmo os idosos não conseguem reconhecer.

Quais são os efeitos do idadismo na saúde mental dos mais velhos?

Assim como qualquer processo de exclusão, o idadismo também traz consequências negativas que podem aparecer tanto a curto quanto a longo prazo. Fazer inúmeras entrevistas de emprego e não conseguir uma reposta positiva por causa da idade, por exemplo, ou não ser incluído nas tarefas do dia a dia afeta diretamente a saúde mental do idoso.

“Os estudos dizem que existe o processo de depressão pelo sentimento de ser excluído e não ter mais valor, o que leva a uma ideia de não pertencimento.”, explica Marco.

Esse tipo de situação gera um sentimento de baixa estima, de desamparo e autodepreciativo. Embora o envelhecimento traga consigo desgastes naturais, isso não pode ser interpretado como um estado geral de fragilidade e perda de independência. Muitos idosos ainda têm sonhos, trabalha, constituem família, sustentam a casa e têm os seus hobbies.

Idadismo x mercado de trabalho

No mercado de trabalho atual, vemos um movimento em que a criatividade e a tecnologia – características muito importantes – se sobrepõem sobre a experiência. Junto a isso, há a ideia de que pessoas acima dos 50 anos são incapazes de aprender ou de lidar com a tecnologia na velocidade em que se espera. Essa soma tem como resultado um mercado de trabalho defasado para as pessoas da terceira idade.

De acordo com o senso de 2020 do IBGE, a população do Brasil com mais de 50 anos já são mais de 53 milhões de pessoas. Na contramão, apenas 1% dos cargos no Brasil são ocupados por pessoas com mais de 60 anos, de acordo com o estudo Envelhecimento da Força de Trabalho no Brasil, feito pela consultoria PWC e a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Mas a verdade é que quanto mais diversa a sua empresa for, melhor será o seu trabalho. Fazer as pessoas de gerações diferentes conviverem e opinarem juntas é uma forma muito rica de tornar o seu ambiente mais agradável e receptivo. Além disso, muitas pessoas com mais de 50 anos, embora não tenham a familiaridade com a tecnologia, podem ajudar em todos os outros pilares – e, claro, aprender com os mais novos.

“Criatividade, tecnologia e inovação não são privilégios de pessoas mais novas. (…) O que entendemos é que a soma é boa. Soma de olhares, soma de experiência, dentro da lógica de diversidade que torna bacana. Se chama intergeracionalidade. O que torna o ambiente positivo”, opina Marco.

Como combater o idadismo?

Agora que já sabemos o que é o idadismo, o próximo passo é saber como combatê-lo. Assim como acontece com outros tipos de preconceito, como o racismo e o machismo, o passo mais fundamental é promover a inclusão. Seja no trabalho, nas escolas, em casa, nos filmes e séries de televisão, é preciso criar mais espaços para que as pessoas com mais de 50 anos possam ser colocadas em destaque.

Além disso, é preciso que as imagens não as tratem de forma estereotipadas, como senhores que sempre precisam de ajuda, mas como pessoas fortes, sonhadoras, românticas, trabalhadoras. Afinal, assim como um jovem, um senhor também pode ser o que ele quiser ser.

“Tem que se rebelar todos os dias, ir contra as microagressões: o diminutivo, o tratamento infantil, desqualificar, julgar que a pessoa não vai entender a tecnologia. Todas são micro-agressões”, aconselha Marco.

4 conselhos para envelhecer numa boa

Para finalizar, Marco Antônio Vieira Souto deixa quatro conselhos para envelhecer bem consigo mesmo:

“Existem quatro pilares para um envelhecimento saudável, ativo e inclusivo. Essa é a grande bandeira de todos que estão no movimento. 1) Cuidar da saúde desde sempre; 2) Chegar na mais idade com capacidade de se sustentar; 3) Criar e manter amizades, porque a solidão pode ser dramática; 4) Fazer coisas que te deem alguma recompensa”

COMPARTILHE O POST:

No data was found

Inscreva-se na nossa newsletter

e fique por dentro de todas as novidades!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.