A arte do foda-se

INK Academy transforma estampa mais vendida pela plataforma em estudo de caso para ajudar a entender o negócio
  | Leitura: 3 min
12 de junho de 2020
a arte do foda-se

Quem aí nunca teve vontade de ligar o foda-se? O artista plástico Daniel Gnattali, já. E resolveu desenhar isso em forma de mantra, em 2012. Somente três anos depois a arte virou estampa de camiseta, produzida pela Touts – o embrião da Reserva INK. Em um único mês, o produto vendeu mais de 450 exemplares, e se transformou no maior case de sucesso da plataforma – um total de 3.846 peças foram comercializadas ao longo do tempo.

– Estava muito chateado comigo mesmo, por estar seguidamente ultrapassando meus limites e me arrependendo depois. Daí, um dia, voltando pra casa de ônibus veio a ideia, como um desapego mesmo daquela sensação pesarosa de ficar remoendo um sentimento ruim: “Foda-se!” – lembra Daniel. – Nesse período o meu traço estava mudando bastante, de algo bem solto e improvisado pra algo mais pensado. Então, aproveitei pra estrear essa nova estética, mais precisa e compacta, que perdura até hoje no meu trabalho de ilustração. Acho que a ideia é o principal, mas a estética também contribui para impacto positivo gerado – analisa.

A história da camiseta “Mantra” virou estudo de caso na INK Academy, braço EdTech da Reserva. Num post, Lucas Bittencourt, cofundador da INK, avalia o fenômeno, amparado em leituras como “Hit Makers”, de Derek Thompson.

– É uma surpresa familiar por misturar dois universos supostamente contraditórios, mas muito reconhecidos: um monge meditando com um palavrão utilizado em momentos agitados (a contradição também gera o humor da obra, que é um bônus) – analisa Lucas.

Na opinião de Lucas, não é possível definir um padrão para o sucesso. Já Arturo Edo, gestor da Reserva INK, acredita que o caso específico da arte “Mantra” – como se chama a estampa do “foda-se” – se deve à identificação das pessoas com o desenho.

– Antes de conhecer mais sobre o Daniel, achava que as artes eram “legais”, mas depois que conheci mais, fiquei superfã do trabalho pela qualidade, detalhe dos desenhos e polivalência do artista, que ainda por cima é muito gente boa – diz.

Daniel ainda se lembra da reação do público logo que postou a imagem pela primeira vez:

– Não podia imaginar o sucesso que faria. Na época, a média de curtidas num post “bombado” no meu perfil pessoal do Facebook era de, no máximo, 100 curtidas. Eu postei o “Mantra” numa sexta-feira e viajei pra serra. Quando parei na estrada, um amigo mandou um torpedo dizendo que tinha passado de 600 curtidas. Achei inacreditável e fiquei superfeliz. Mas os números foram crescendo enquanto eu me desconectava…  E, no fim das contas, esse post teve mais de 15.000 compartilhamentos, foi algo extremamente inusitado.O artista acredita que as vendas ocorrem pela identificação gerada com o público. – E quanto mais vende, mais pessoas conhecem e também se identificam, gerando novas vendas. É uma retroalimentação interessante. A arte foi pro mundo e, principalmente na internet, muita gente conhece a obra sem saber quem é o autor. Mas abriu janelas como essa, de poder expor um pouco da experiência e do meu trabalho no 2min – diz.

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