Uma é bom, duas é melhor ainda: mães falam sobre o dia a dia da dupla maternidade

Paula Frison, 32, e Camila Krauss, 42, são mães de Benjamin, 1 ano e 8 meses, e abrem o jogo sobre os desafios da dupla maternidade.
  | Leitura: 6 min
2 de maio de 2022
Mães falam sobre a dupla maternidade

Paula Frison, 32, e Camila Krauss, 42, são mães do Benjamin, 1 ano e 8 meses

Em maio deste ano, o Dia das Mães será celebrado em dobro em muitos lares. O que, por muito tempo, parecia ser um direito inatingível — a dupla maternidade — começou a ganhar forma ainda no ano de 2013, quando a Resolução 175 do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) reconheceu o casamento homoafetivo. Desde então, até 2019, segundo um levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 24.593 celebrações foram realizadas no país entre mulheres.

Contudo, embora esse passo possa ser visto como um avanço, é incontestável que existe ainda uma jornada longa pela frente. Isso porque o Brasil vem “patinando” no que diz respeito à aprovação de leis que efetivamente afastem as objeções do múltiplo reconhecimento de maternidade (o que, naturalmente, também é aplicável aos casos de paternidade socioafetiva). No entanto, esse é um dos muitos desafios enfrentados por essas famílias.

No post de hoje, Paula Frison e Camila Krauss, mães do Benjamin, dividirão conosco um pouco dos obstáculos que essa realidade, ainda que represente a concretização de um sonho, traz consigo no dia a dia. Vamos à leitura?!

A percepção conjunta do casal de que era o momento de aumentar a família

Após o término de uma relação em 2018, Paula e Camila começaram a conversar e, desde então, não se desgrudaram. Paula destaca que Camila tinha mais certeza da vontade de ser mãe e acabou por fortalecer esse desejo nela própria. “Em seis meses, eu me mudei de Poços para São Paulo e já tínhamos agendado consulta em uma clínica de reprodução assistida”, relata.

Ela também ressalta que, durante todo o período de gestação, ambas estudaram bastante, buscando se preparar — emocionalmente, inclusive — para a chegada de Benjamin, mas enfatiza: ” (…) é claro que a realidade é diferente do que vemos nos livros e teorias, pois estamos falando de um sujeito com as suas particularidades”.

Entretanto, o nascimento do filho as surpreendeu de forma positiva, destaca Paula, explicando que elas se prepararam para o caos, ” (…) mas esse caos trouxe sentimentos tão lindos e fortes que acabamos curtindo cada desafio e dificuldade com muito otimismo e alegria”.

Nessa fase, elas decidiram por seguir o lema de que se deve viver um dia de cada vez e lembrando que tudo passa — tanto as coisas difíceis quanto as boas.

Os principais desafios da dupla maternidade e a superação no dia a dia

Como desafios marcantes, Paula cita a tentativa de as pessoas diminuírem a maternidade de uma delas, os questionamentos acerca da doação do óvulo, de quem efetivamente gestou Benjamin, de qual das duas o amamentou e as afirmações de que ele sentirá falta de uma figura paterna. Ela acredita que ” (…) algumas pessoas perguntam, pois não entendem ou querem saber um pouco mais”. No entanto, explica que elas sentem que grande parte busca respostas na intenção de tornar uma delas “mais” ou “menos” mãe.

“Isso é bem desgastante, especialmente no início, quando estamos passando pelo puerpério e tentando nos entender nesses novos papéis na vida”, revela. Paula pontua, entretanto, que, ainda assim, ambas tendem a encarar tudo com tranquilidade e leveza, respondendo com respeito, mas sem permitir que as invadam ou as invalidem.

A dupla maternidade e a dupla culpa materna. Como lidar com elas?

Da mesma maneira que a maior parte das mães modernas — para não dizer todas —, que sentem a cobrança de serem “supermulheres”, ambas precisaram buscar meios de equilibrar a vida profissional e a vida em família. Nesse sentido, Paula explica que Camila trabalha fora e, portanto, elas se planejaram para que, no início, ela ficasse 100% do tempo com o Benjamin, o que durou um ano e dois meses.

Após esse período, Paula retomou gradualmente os atendimentos diários, pontuando que elas não se sentem culpadas porque sabem que fazem o que é melhor para a família. No entanto, ela confessa: “Claro que a Ca sente falta e gostaria de passar mais tempo com ele, mas ela ama o trabalho e se sente bem fazendo o que faz, ou seja, isso acaba tirando o peso de não estar perto o dia todo”.

As reações das pessoas no entorno

Diferentemente da realidade enfrentada por uma expressiva parcela dos casais homoafetivos, recheada de preconceitos e julgamentos, Paula diz que, quando ambas revelaram para as pessoas que estavam grávidas, receberam uma “enxurrada” de acolhimento e amor, o que foi extremamente emocionante. “Nós não contamos para quase ninguém sobre o tratamento. Fizemos tudo escondidas para não ter que lidar com críticas ou ansiedade das pessoas — já bastava a nossa própria ansiedade”, conta rindo.

“As únicas pessoas que sabiam eram o Rony (CEO da Reserva) e o Fabio Milliet (Diretor Comercial da Reserva), os quais nos incentivaram e motivaram a vivermos esse momento”, revela ela.

Já quanto à preparação para receber Benjamin, Paula enfatiza que o preparo principal foi a busca pelo conhecimento, por meio da leitura, que afirma ser libertador. “A base que tivemos, com toda certeza, deixou o nosso maternar bem mais leve e sem culpa”, relata.

A grande verdade é que a dupla maternidade, como qualquer outra experiência maternal — com ou sem rede de apoio —, envolve as delícias e os desafios do maternar, ainda que seja inegável que a ausência de apoio e de suporte pode ser bem mais expressiva no primeiro caso, além da eventual necessidade de lidar com pontos de vista arcaicos de uma sociedade que ainda vive um retrocesso.

No entanto, quanto a isso, Paula e Camila são categóricas: “Aproveite os momentos e não se prenda tanto no que as pessoas dizem e impõem. A culpa só te rouba a felicidade de viver por completo os momentos que passam tão rápido”.

E então? Gostou deste post sobre a dupla maternidade e do relato emocionante de Camila e Paula nessa jornada de alegrias e desafios? Aproveite para conferir a campanha completa de Dia das Mães da Reserva, uma celebração a todas as mães reais, possíveis e imperfeitas.

Reserva Dia das Mães 22

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