Escola de samba Mangueira: conheça os grandes nomes da “verde e rosa”

Um bordão entoado na quadra da escola de samba Mangueira diz que ela é a maior escola de samba do planeta. Com nomes em sua fundação como Cartola, Delegado, Nelson Sargento e Jamelão, fica fácil acreditar na máxima.
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9 de março de 2022

Um bordão entoado na quadra da escola de samba Mangueira diz que ela é a maior escola de samba do planeta. Com nomes em sua fundação como Cartola, Delegado, Nelson Sargento e Jamelão, fica fácil acreditar na máxima.

Medalhões que escreveram seu nome na história da Estação Primeira, da Música Popular Brasileira e do Carnaval, eles se tornaram inesquecíveis e foco de várias homenagens na cultura, na moda e no mundo.

Este texto vai mostrar quem são, suas obras e por que se tornaram ídolos eternos. Às vésperas do Carnaval, vale a pena ler, conferir e celebrar.

Saiba como a Estação Primeira de Mangueira nasceu

Dá para imaginar que sambistas como Cartola, Carlos Cachaça e Saturnino não podiam desfilar nos blocos Carnavalescos da década de 1920? Pobres, negros, moradores do Morro da Mangueira, na Zona Norte carioca, eles eram conhecidos pelas bebedeiras, palavrões e algumas brigas.

E foi justamente por essas características que eles formaram o Bloco dos Arengueiros, em 1923, para desfilar só entre eles. Alguns desfiles depois, eles decidiram juntar todos os blocos do Morro da Mangueira e fundar uma escola de samba para desfilar na Praça Onze – onde desfilavam as escolas de samba antes da Marquês de Sapucaí.

Assim nasceu o Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira que, por sugestão de Cartola, adotou as cores verde e rosa, que representavam o amor e a esperança e lembravam um rancho carnavalesco de sua infância, o Rancho do Arrepiado. O nome foi uma referência à primeira parada do trem, que saía da Central do Brasil, no Rio. Já a história da Mangueira continua sendo escrita até hoje e sempre de modo inesquecível.

Conheça alguns dos ídolos da escola de samba

Veja agora a história de alguns ídolos da escola de samba, de que forma contribuíram para a agremiação e como se tornaram grandes. Tão grandes que serão homenageados por uma coleção de camisetas da Reserva.

Cartola

O menino pobre que nasceu no Rio de Janeiro e sempre teve o Carnaval como referência de música e de alegria foi também um dos fundadores da Mangueira.

Mas não foi só isso. Cartola também foi um dos mais profícuos compositores da Música Popular Brasileira. Mesmo com pouca educação formal, ele compôs versos e rimas elaborados como os de “As Rosas não Falam”, “O Sol Nascerá”, “O Mundo é um Moinho”, entre outros.

Homem simples, trabalhava como guardador de carros, pedreiro e pintor de parede. Por causa do ofício, usava um chapéu-coco para evitar os respingos de tinta, o que acabou lhe rendendo o apelido de Cartola.

O samba e as composições sempre o acompanharam, mas o reconhecimento da enormidade da sua obra só veio na década de 1970, e o primeiro disco gravado em 1974. Cartola morreu em novembro de 1980, mas sua obra e história permanecem eternas.

Nelson Sargento

Nelson Mattos, mais conhecido como Nelson Sargento (apelido que ganhou por sua passagem pelo Exército), começou no samba no Morro do Salgueiro, onde morava. Aos 12 anos, foi morar com a mãe no Morro da Mangueira e começou a compor.

Na juventude, integrou o conjunto A Voz do Morro, que tinha Paulinho da Viola, Zé Kéti, Elton Medeiros e Jair do Cavaquinho como membros. Compôs obras com Cartola, Carlos Cachaça e Darcy da Mangueira, e clássicos como “Agoniza, mas não morre” e “Falso amor sincero”.

Participou intensamente de Mangueira e é considerado presidente de honra da escola. Morreu em 2021 por complicações de Covid.

Jamelão

Conhecido pelo vozeirão que entoou os sambas de Mangueira nos desfiles da escola de samba por mais de 50 anos, José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão ou mestre Jamela, era também cantor e compositor dos grandes.

Ele chega a Mangueira em 1930, mas só começa como intérprete em 1949. Ainda em 1940, começa a cantar em gafieiras e em programas de calouro, fez parte também da Orquestra Tabajara, como crooner. Em 1949, grava seu primeiro disco e tem entre os sucessos que ficaram famosos na sua voz a música “Leviana”, “Exaltação à Mangueira” – que viraria hino informal da escola -, e “O Grande Deus”.

Em 1999, é eleito o intérprete do século do Carnaval carioca pelo jornal Folha de S. Paulo.

Nos anos 2000, torna-se também presidente de honra da Mangueira e segue como intérprete da agremiação até 2006, quando começa a ter problemas de saúde, Jamelão morre em 2008 no Rio de Janeiro.

Mestre Delegado

Hélio Laurindo da Silva, mais conhecido como Delegado, atuou como diretor de bateria e ritmista, mas fez fama mesmo como mestre-sala de Mangueira com o seu bailado elegante. Reconhecido como o maior mestre-sala do Carnaval carioca, conquistou apenas notas máximas durante todo o período em que desfilou.

Filho de um dançarino de valsa e de uma doceira, ganhou o apelido de delegado por “prender” as moças na conversa.

Também ganhou o título de presidente de honra da Mangueira em 2011, substituindo Jamelão – que morreu em 2008 -, e teve como homenagem a visita de todos os mestres-salas e porta-bandeiras de todas as agremiações do Rio de Janeiro. Delegado dançou com cada uma porta-bandeiras visitantes na quadra da Mangueira. Morreu em 2012 deixando sua história no Carnaval carioca.

Celebre os ídolos

Como vimos, a escola de samba Mangueira pode ser vista apenas como uma das grandes agremiações do Carnaval carioca, mas é certo que nenhuma delas reúne tantos ídolos e figuras marcantes da história da cultura brasileira como a verde e rosa – como a agremiação também é conhecida.

Cartola, Jamelão, Nelson Sargento e Delegado são alguns dos grandes expoentes do morro. Eles conseguiram superar preconceito e pobreza e mostraram ao mundo o seu valor e grandeza da sua obra.

Ídolos, eles são celebrados desde sempre na cultura carioca e na do Carnaval. Viraram tema de coleção da Reserva, que vale para curtir o Carnaval e celebrá-los todos os dias.

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