Pandemia invisível e silenciosa

Quarentena levou a subnotificação da violência contra mulheres, embora evidências sugiram aumento dos casos
  | Leitura: 4 min
25 de novembro de 2020
pandemia invisível

25 de novembro é o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres. Neste 2020, lamentavelmente, nunca foi tão necessário prestar atenção ao tema. Segundo a ONU Mulheres, a violência contra elas é uma “pandemia invisível”. Invisível e silenciosa: com a quarentena, as vítimas de violência doméstica se afastaram dos serviços de atendimento, o que tem causado subnotificação dos casos.

Segundo dados da Secretaria de Saúde do Rio, a média diária de notificações caiu 34% em relação ao ano passado. A evidência de que a violência não cessou – o que poderia ser a leitura apressada – é que a maioria das vítimas de violência que chegam ao sistema de saúde estadual é de mulheres – 72,3%, quando a média dos quatro anos anteriores era de 68,5%. Com dados parcialmente anteriores ao início da quarentena (primeiro quadrimestre), as denúncias registradas pelos serviços de atendimento telefônico cresceram 37,6% em relação a 2019.

Semana passada, foi lançado o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2020, que reforça a sensação de crescimento dos casos apesar da subnotificação. No primeiro semestre deste ano, o anuário aponta que os registros nas delegacias caíram 9.9%, mas houve aumento de 3,8% nas chamadas para o 190 sobre casos de violência doméstica, chegando a mais de 147 mil chamadas em todo o país.

Também houve aumento no número de feminicídios – mais 1,9% em comparação com o primeiro semestre do ano passado – 648 vítimas, ou 1 mulher morta a cada 9 horas, neste primeiro semestre.

A tendência de aumento é mundial, segundo observou a ONU Mulheres ainda no início da pandemia, com dados de diversos países. A organização, a propósito, está em plena campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que vai até dia 10 de dezembro. Abaixo, listamos algumas formas de combater essa violência:

1 – Não se omita

O velho ditado “em briga de marido e mulher não se mete a colher” está totalmente ultrapassado. Ao ouvir uma briga de vizinho, faça contato ou ligue para o serviço Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher, do governo federal) ou mesmo para 190 (polícia).

2 – Acolha a vítima

Muitas mulheres deixam de notificar pelo medo de sofrerem julgamento, por vergonha. É o silêncio das vítimas que transforma a violência contra a mulher numa pandemia invisível.

3 – Oriente a vítima

Além dos já citados serviços por telefone, as delegacias da Mulher continuam funcionando normalmente durante a pandemia. O Tribunal de Justiça do Rio lançou há pouco o serviço Maria da Penha Virtual, em que é possível registrar casos através de um aplicativo. Segundo pesquisa recente, apenas 46% da população conhecem os serviços voltados para as vítimas.

4 – Não abandone a vítima

Muitas mulheres deixam de fazer os registros – e até de procurar atendimento médico – por medo de que não dê “em nada” e que a violência cresça depois disso.  Acompanhar a vítima depois do problema vir à tona é essencial.

5 – Como conversar com homens autores de violência?

Recomendamos fortemente a leitura deste artigo no site Papo de Homem, sobre grupos reflexivos que reúnem homens autores de violência. Trata-se de uma estratégia jurídica e psicossocial para interromper o ciclo de violência – ou evitar que ele comece –, transformando as relações de gênero. Ao longo da pandemia, há grupos que se reúnem online.

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