‘Quem doa constrói um novo país’

Luciana Quintão, da OBA, festeja recorde na distribuição de alimentos no período da quarentena
  | Leitura: 3 min
22 de junho de 2020
doa banco de alimentos

Não há muito o que discutir: a pandemia é ruim sob qualquer aspecto. Porém, se a gente quiser olhar o copo meio cheio, uma das possibilidades já ditas por aqui foi a do aumento do número de doações feitas pela sociedade brasileira. A ONG Banco de Alimentos (OBA), parceira da Reserva no projeto 1P5P, é prova viva, e chega ao fim de junho com a incrível marca de 2.779.566 quilos de alimentos (isso mesmo, quase 3 mil toneladas) distribuídos entre 3 de abril e 21 de junho – impactando a um total de 669 mil pessoas.

– Normalmente, fazíamos a entrega de 40 toneladas por mês, via colheita urbana – explica Luciana Quintão, presidente da ONG. A colheita urbana é um mecanismo através do qual se recolhe de doadores como supermercados e hortifrútis alimentos que preservam seus valores nutricionais, porém perderam fisicamente o potencial de venda. Em vez de irem para o lixo, são retirados por equipes do Banco de Alimentos, que encaminham os alimentos para instituições.

Luciana diz que, logo no início da pandemia, o baque inicial fez com que as doações diminuíssem. Logo na sequência, ela percebeu uma demanda natural na doação de cestas básicas. Porém, mesmo esta modalidade de doação – bem-vinda, obviamente – necessita de uma logística imensa.

– Para distribuir as cestas, é necessário alugar galpão, pallets, empilhadeiras. Acaba tendo um custo alto – explica Luciana. Desde abril, a OBA distribuiu quase 160 mil cestas.

Num segundo momento, a OBA sugeriu que a entrega das cestas se desse através de cartões de alimentação. Há várias vantagens, a começar pela questão financeira: se antes era possível gastar R$ 70 numa cesta, sem os insumos já descritos o valor subiu para R$ 100. Além disso, o próprio beneficiário pode fazer a opção pela compra de proteína ou gás, de acordo com a necessidade – além do mais, a compra ajuda a girar a economia local. A distribuição se deu após a identificação de líderes comunitários que pudessem fazer a capilarização das entregas, dando prioridade a mulheres chefes de família.

– Se a gente não tirar nada de bom dessa pandemia,  vai ser pior ainda. As crises só são boas pra isso. Doar é um hábito maravilhoso, e a cultura da doação é importantíssima. Quem doa ajuda a construir um novo país. Tem que doar e cobrar – diz Luciana Quintão.

A propósito: o Banco de Alimentos continua recebendo doações diretas, além das feitas pelo 1P5P. A cada peça de roupa vendida na Reserva, 5 pratos de comida são viabilizados através da ONG, em São Paulo, e do projeto Mesa Brasil, do Sesc, em Alagoas.

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